
Relacionamentos na igreja
Porque a verdadeira Igreja de Cristo deve ser uma família ligada por fortes relacionamentos de amor e de compromisso mútuo, este não pode ser um assunto marginal para quem desempenha cargos de liderança no ministério, uma boa e saudável comunicação sempre está na base de uma Igreja saudável que se deseja em crescimento sem nunca desprezar o mais importante, as pessoas.
Porque este assunto é importante para Deus, Ele deu a todos o ministério da reconciliação, ou seja da restauração de relacionamentos com Deus e de uns com os outros, a fim de que possamos ser corpo para Cristo, e termos uma alma verdadeiramente restaurada.
O meu desejo de contribuir para a restauração deste ministério na Igreja levou-me a escrever um Livro intitulado “ Relacionamentos na Igreja” onde partilho princípios que me têm ajudado a vencer no ministério. Encontrará este livro em livrarias evangélicas ou se preferir poderá recebê-lo através de nós.
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Aqui ficam dois princípios mencionados no livro:
11. Usar a autoridade para edificar
Quando exercer autoridade na Igreja tenha a noção de equilíbrio
Quem está em autoridade deve imitar Jesus, que não usou a autoridade apenas para corrigir mas também para salvar e honrar a fidelidade. Assim Jesus disse numa ocasião: “…se alguém quiser vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me…”; noutra ocasião Jesus lavava os pés aos discípulos e noutra dizia-lhes: “…não vos chamarei mais servos mas amigos porque tudo o que tenho recebido de meu Pai, vos tenho dado…”.
No Seu discurso, Jesus parecia numas vezes duro e distante e noutras muito terno e próximo dos Seus discípulos. Jesus sabia que corrigir era apenas um capítulo do livro “estar em Autoridade”, e Ele exerceu-a num equilíbrio perfeito em todo o Seu ministério.
Hoje, quem está em liderança na igreja, tem uma oportunidade única para, em primeiro lugar, motivar as pessoas a desenvolverem os dons dados por Deus, ajudando-as a crescerem espiritualmente e a produzirem muito fruto no Reino de Deus; em segundo lugar a usarem a sua autoridade para impedirem que pessoas voltem para o mundo, deixando a igreja e perdendo a salvação.
Existem pessoas a quem a correcção excessiva “estraga” e outras a quem a tolerância excessiva também “estraga”. Há que encontrar um equilíbrio na forma como lidamos com cada pessoa.
Todos os que exercem autoridade têm a responsabilidade de ajudar os seus colaboradores a progredirem, ou seja a fazerem as coisas cada vez melhor, e isso é um processo que deve ser acompanhado, reconhecido e galardoado.
Aprenda a não fazer críticas destrutivas nem a dar a ideia de que errar é fatal, mas ajude as pessoas a não terem medo dos seus próprios erros, usando-os para aprenderem a fazer melhor da próxima vez.
Seja paciente, trabalhe com as pessoas até que elas atinjam todo o seu potencial, e para isso terá que recorrer muitas vezes a métodos tão simples como aqueles a que os pais recorrem em relação aos seus filhos, nas primeiras etapas do seu crescimento.
Quando um bebé dá os primeiros passos, diz as primeiras palavras, ou já faz as suas necessidades sozinho no sítio certo sem recurso à fralda, todos os pais elogiam esses pequenos progressos trazendo ao bebé motivação acrescida para que possa atingir o passo seguinte no seu crescimento. Com a mesma simplicidade, todo aquele que está em autoridade deve valorizar o que os seus colaboradores fizeram bem, mesmo que ainda tenham ficado aquém do que era esperado, pois sempre que der atenção a um bom desempenho estará a fornecer motivação para que ele se repita com resultados acrescidos .
É do conhecimento comum que um bebé que começou a dar os primeiros passos, ou a falar, pode perder estas conquistas e retroceder etapas do seu crescimento por experiências traumáticas ou por perda repentina da atenção dos pais.
Atenção e reconhecimento satisfazem as necessidades mais básicas de todo o ser humano. Usar a sua posição de autoridade para dar atenção moderada ao que um colaborador fez é dar vida à sua chamada, ao invés, sempre que ignora sistematicamente o desempenho de um colaborador está a desmotivá-lo e a destruir a sua auto-estima .
Por outro lado, dar excessiva atenção a uma criança pode, com o tempo, torná-la demasiado dependente dos outros. Assim, também todo aquele que está em liderança deve ter o cuidado de dar atenção moderada às pessoas, porque se for demais poderá ter o efeito perverso de torná-las excessivamente dependentes de si, impedindo-as de alcançarem a sua maturidade espiritual e um desempenho responsável.
8. Não julgar precipitadamente
Antes de julgar determinado comportamento, atitude ou tomar qualquer decisão acerca de alguém, procure as causas que lhe dão fundamento e ponha-se no lugar dessa pessoa
Sempre que se coloca no lugar de uma pessoa antes de a corrigir, dá um valor construtivo à correcção, pois toda a correcção visa combater o erro e reabilitar a pessoa que errou. Deve evitar também corrigir alguém quando as suas emoções estiverem ao rubro.
Nem sempre uma má atitude tem por fundamento uma provocação, um sentimento malicioso ou de vingança. Por vezes a pessoa age com naturalidade, age segundo aquilo que aprendeu, muitas vezes à custa de frustrações e más experiências.
Algumas vezes estará a lidar com pessoas profundamente traumatizadas na sua alma, de tal forma que reagem agressivamente contra tudo e contra todos, e tudo o que desejam é não voltar a sofrer.
Compensa pois, ver quem é a pessoa, qual é a sua vida familiar, quais são os seus antecedentes na igreja, se está a passar por uma crise profunda em alguma ou em todas as áreas da sua vida. Consoante o seu diagnóstico deverá moderar a intensidade das suas palavras, procurando que a sua conversa naquele momento não seja a última, mas deixando sempre uma porta aberta para que a pessoa possa se arrepender e sair bem da situação.
Quando corrige alguém também não necessita de dizer toda a verdade que sabe, mas revelar somente o estritamente necessário para que a pessoa aceite a correcção e se determine a dar frutos de arrependimento. Quanto mais a pessoa se humilha menos necessidade tem de a humilhar, mencionando mais pormenores que a desfavoreçam. O fim é sempre reabilitar a pessoa diante de si, da igreja, e de Deus, admoestando-a em amor.
Querendo incutir este espírito em Timóteo, Paulo recomendou-lhe:
“Não repreendas asperamente os anciãos, mas admoesta-os como a pais, aos mancebos (novos) como a irmãos, às mulheres idosas, como a mães, às moças, como a irmãs, em toda a pureza” (I Timóteo 5:1,2).
Também é importante que nunca considere uma pessoa culpada nem a corrija precipitadamente, baseado numa conversa que ouviu, ou no que alguém lhe disse.
Certifique-se primeiro da “origem do fumo”, pois “o fogo” às vezes arde onde menos espera. Por vezes alguns colaboradores da sua confiança são tentados a usar-se da sua influência junto de si para acertar contas com alguém que os feriu ou magoou, levando-os a contarem meias verdades, omitindo alguns pormenores importantes, ou simplesmente acrescentando palavras ao que foi dito.
O próprio Paulo alertou o jovem Timóteo para que não aceitasse acusação contra um presbítero sem haver duas ou três testemunhas (I Timóteo 5:19).
João Nunes